A diretoria da Associação Beneficente Campo Grande, mantenedora da Santa Casa de Misericórdia, esteve reunida na última semana com membros das principais lideranças maçônicas de Campo Grande para mostrar as questões que envolvem o maior hospital do Estado, além de buscar apoio formal em prol da devolução da instituição.
Foram realizadas duas reuniões. Na Grande Oriente do Brasil, o grão-mestre Márcio Lolli Ghetti, foi receptivo com a diretoria e o encontro reuniu aproximadamente vinte veneráveis.
Na Grande Loja Maçônica, o grão-mestre Jordão Abreu da Silva Jr, também se mostrou atencioso com os diretores, ambos disponibilizaram apoio à causa da ABCG.
Durante as reuniões o presidente da ABCG, Wilson Teslenco, fez uma apresentação pontuando as principais deficiências do hospital e relatou a luta da ABCG desde os primeiros anos de intervenção, mostrando documentos judiciais e citando graves problemas que a Santa Casa tem enfrentado, como desabamentos, paralisações e fechamento de setores.
“Ficamos profundamente honrados com a acolhida da maçonaria. Nossa intenção com a divulgação destes fatos é conquistar o apoio formal da sociedade organizada para que a Santa Casa possa ser resgatada da situação caótica em que se encontra”, acrescenta Teslenco.
Para este ano, a mantenedora da Santa Casa planeja visitar diversas instituições, assim como outros formadores de opinião. O objetivo dos encontros é discutir os problemas oriundos da intervenção e a luta da ABCG pela recuperação da Santa Casa.
Assessoria de Imprensa da ABCG
Média de atendimento do Prontomed é de 26 consultas por dia, que serão transferidas para a emergência do hospital que já contabiliza diariamente, 50 consultas pediátricas
Publicada por Campo Grande News
Com o fechamento do setor de pediatria do Prontomed, já anunciado na semana passada e confirmado hoje pelo diretor-presidente da junta administrativa da Santa Casa, Issam Moussa, durante coletiva, a contagem regressiva começa. A partir de março, quando a determinação entra em vigor, o problema vai ser a pediatria do Pronto Socorro sobrecarregada.
Para se ter noção, a média de atendimento dos nove pediatras do Prontomed é de 26 consultas por dia, que serão transferidas para a emergência do hospital que já contabiliza diariamente, 50 consultas pediátricas. Isso feito somente por dois pediatras.
“Não é muito atender 50 pacientes em um dia. Sou médico e acho que não é muito”, comenta Moussa, relacionando o atendimento à portaria do Ministério da Saúde que estabelece a média de 15 minutos por consulta.
Além de sobrecarregar o Pronto Socorro, a medida tomada pela junta administrativa deve concentrar pacientes no Hospital da Criança e São Lucas.
“Não estamos fechando as portas, estamos cortando gastos com pediatras”, explica o diretor-presidente.
A partir de março a pediatria do Prontomed mantém apenas a internação. O atendimento de urgência e emergência que era realizado no setor passa todo para o Pronto Socorro da Santa Casa e vai ficar concentrado no SUS.
“É importante dizer para a sociedade que ela não vai deixar de ser assistida. Ali no Pronto Socorro trabalham dois pediatras que vão continuar recebendo atendimento”, reforçou Issam Moussa.
Criado há 20 anos, a pediatria do Prontomed é o único setor onde os médicos são profissionais celetistas, que seguem a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e não por produtividade e somam R$ 80 mil à folha de pagamento.
A “economia”, defendida pela junta com o fechamento da unidade, será de mais de 50%. Em um cálculo apresentado hoje durante a coletiva, se os celetistas seguissem a remuneração por produtividade, como as demais especialidades, a folha de pagamento ficaria em R$ 25 mil.
“A Santa Casa não tem obrigação de ficar pagando para médico pediatra atender plano de saúde. Não tem que arcar com ônus desses pediatras. Se quiser atendimento, os planos de saúde vão ter que arcar com isso”, ressaltou Moussa.
Questionado sobre o por que a medida foi adotada apenas agora, depois de anos de funcionamento, o diretor diz “cabe a antiga administração dizer. Quando nós assumimos nos comprometemos a fazer o que tinha que ser feito”.
Ainda na tentativa de reverter a decisão, a Unimed e a Cassems entraram em contato para negociar com a administração do hospital. Uma reunião com a Cassems está prevista para a próxima quarta-feira.
Com fechamento, a Santa Casa já anunciou onde pretende investir. A hora de plantão paga para enfermeiros e médicos vai subir de R$ 52 para R$ 80.
A alternativa para os profissionais é de passar de celetista para remuneração por produção, o que quer dizer ganhar pela consulta que realizar e não um salário fixo. A posição do Sinmed-MS (Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul) é contrária ao que é oferecido.
“Seria submeter para um trabalho autônomo”, explica o presidente do Sindicato João Batista Botelho.
“Vai faltar médico, com certeza, mas os profissionais também têm direito de lutar para manter o contrato”, enfatiza.
Segundo o sindicato a decisão vai depender da classe médica em cima do que a empresa propor.
Publicada por Mídiamax news
Nesta quinta-feira (2), o Prontomed da Santa Casa anunciou aos médicos da pediatria o fechamento do setor no hospital. Pacientes conveniados não terão mais o atendimento especializado para crianças. Até o final de fevereiro, a Santa Casa contará apenas com pediatras do serviço público.
Segundo o diretor do Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul, João Batista Botelho, o setor será fechado para contenção de despesas. “O faturamento é baixo para o gasto que eles têm”, justifica.
Atualmente, o Prontomed conta com um quadro de nove pediatras que revezam os plantões para atendimento. Com o fechamento do setor, os médicos que não têm vínculo com outros setores do hospital devem cumprir aviso prévio.
Mesmo que a Santa Casa ainda não tenha se pronunciado a respeito, Botelho adianta que o problema maior será em relação à sociedade. “Ainda é cedo para avaliarmos os impactos, mas teremos um aumento na procura de hospitais infantis, que não fazem atendimento de urgência e emergência”, acredita o diretor. Botelho garante que o atendimento de pediatria do SUS na Santa Casa continuará a atender normalmente.
Publicada no site do deputado Darcísio Perondi
Parlamentar gaúcho apresentou novo Projeto de Lei Complementar e pretende que União seja obrigada a gastar um percentual fixo para financiar o SUS
O ano legislativo foi aberto oficialmente nessa quinta-feira (03), em sessão conjunta do Congresso Nacional, e um tema deverá merecer destaque nos debates em 2012: o financiamento da saúde. O presidente da Frente Parlamentar da Saúde, deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), se antecipou e apresentou o Projeto de Lei Complementar nº 123/2012, obrigando a União a investir o equivalente a 10% de suas receitas correntes brutas para financiar as ações e os serviços públicos de saúde.
A decisão de Perondi foi tomada depois que a Câmara dos Deputados aprovou, em dezembro de 2011, a Regulamentação da Emenda Constitucional 29 na forma como queria o Governo e não a defendida pela Frente Parlamentar e pelas dezenas de entidades nacionais ligadas ao setor de saúde. Além de definir com clareza o que são ações e serviços de saúde, a Lei fixou percentuais mínimos de investimentos em saúde para os estados (12%) e para os municípios (15%). A União usou seu rolo compressor e ficou livre de um percentual mínimo – precisa investir em saúde apenas o que foi empenhado no ano anterior, mais a variação nominal do Produto Interno Bruto (PIB).
Segundo explicou Darcísio Perondi, quando o Governo impediu que 10% de suas receitas correntes brutas fossem destinadas à saúde, chamou para si a responsabilidade de descobrir novas fontes de financiamento do SUS. “O próprio Governo Federal admite a necessidade de mais R$ 45 bilhões para manter o SUS minimamente funcionando. Então é preciso encontrar formas de se destinar mais recursos para a saúde. Esse será o nosso foco este ano”, afirmou.
Na justificativa apresentada no PLP 123/2012, Darcísio Perondi explica que o SUS prima pela integralidade e pela universalidade e dele dependem 190 milhões de brasileiros. Mas a União vem deixando a responsabilidade para as prefeituras, que gastam, em média, 22% de suas receitas com saúde. Em 1980, a esfera federal respondia por 75% dos gastos com saúde. Hoje, responde com menos de 40%, cerca de 1,75% do PIB. Segundo Perondi, o custo saúde no Brasil aumenta a cada ano e a remuneração do sistema, há décadas, não cobre sequer a inflação.
“O orçamento é insuficiente para atender aos preceitos de universalidade e integralidade do Sistema Único de Saúde (SUS) e a crise de atendimento cresce para todos os brasileiros”, alertou Perondi.
Foto (Agência Edison Castêncio)
Abaixo, o texto do PLP 123/2012 e sua Justificativa:
PROJETO DE LEI COMPLEMENTAR Nº 123, DE 2012
(Do Sr. Darcísio Perondi)
Regulamenta o § 3o do art. 198 da Constituição Federal para dispor sobre os valores mínimos a serem aplicados anualmente pela União. Revoga dispositivo da Lei Complementar 141 de 13 de janeiro de 2.012.
O CONGRESSO NACIONAL decreta:
Art. 1° Esta Lei Complementar institui nos termos do § 3º do art. 198 da Constituição Federal o valor mínimo e normas de cálculo do montante mínimo a ser aplicado, anualmente, pela União em ações e serviços públicos de saúde;
Art. 2º A União aplicará, anualmente, em ações e serviços públicos de saúde, no mínimo, o montante equivalente a dez por cento de suas receitas correntes brutas, nos termos do § 1º do art. 11 da Lei n° 4.320, de 17 de março de 1964, constantes de anexo à lei orçamentária anual referente às receitas dos orçamentos fiscal e da seguridade social, excluídas as restituições tributárias, e observado o disposto no § 2º.
§ 1º É vedada a dedução ou exclusão de qualquer parcela de receita vinculada à finalidade específica ou transferida aos demais entes da Federação a qualquer título.
§ 2º O percentual previsto no caput será integralizado evoluindo de, no mínimo, oito e meio por cento no ano da aprovação desta lei; para nove por cento no segundo ano, nove e meio por cento no terceiro ano, alcançando dez por cento no quarto ano.
Art.3 – Revoga-se o Art. 5º da Lei Complementar 141, de 13 de janeiro de 2012.
Art. 4º. Esta Lei Complementar entra em vigor na data de sua publicação.
JUSTIFICATIVA
Desde o ano 2000 com a promulgação da Emenda Constitucional 29, que a população brasileira aguarda uma melhora na qualidade dos serviços de saúde postos à disposição da população. Muito se fez de lá para cá, entretanto, a cada ano pode-se perceber que, além da necessidade de melhora da gestão, o grande gargalo é mesmo a fonte de financiamento, pois os recursos que a saúde conta atualmente são absolutamente insuficientes para que a população tenha uma saúde de qualidade.
O SUS prima pela integralidade e pela universalidade e dele dependem 190 milhões de brasileiros. Mas a União vem deixando a responsabilidade para as prefeituras, que gastam, em média, 22% de suas receitas com saúde. Em 1980, a esfera federal respondia por 75% dos gastos com saúde. Hoje, responde com menos de 40%, cerca de 1,75% do PIB. Está aí a raiz do problema. O custo saúde no Brasil aumenta a cada ano e a remuneração do sistema, há décadas, não cobre sequer a inflação.
Há pelo menos oito anos a Frente Parlamentar da Saúde e a Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara vêm batendo na mesma tecla: o orçamento é insuficiente para atender aos preceitos de universalidade e integralidade do Sistema Único de Saúde (SUS) e a crise de atendimento cresce para todos os brasileiros. Essa triste situação ganhou contornos internacionais com a divulgação, em Genebra (Suíça), do relatório anual da Organização Mundial de Saúde – OMS. De acordo com o documento, que usa dados de 2008 – os últimos disponíveis, o governo brasileiro é um dos que menos investe em saúde no mundo, 6% de seu orçamento. O gasto é bem inferior que a média africana, de 9,6%.
A OMS revelou que, em média, 13,9% dos orçamentos nacionais vão para a saúde. Nos países ricos, a taxa chega a 17%. Foram avaliados 192 países e o Brasil ocupa a vergonhosa 151ª posição. Os números evidenciam que a saúde não é prioridade dos nossos governantes. Segundo o relatório, a maior parte dos gastos com saúde no Brasil (56%) sai dos bolsos das famílias dos pacientes e de planos de saúde privados. Outro estudo, divulgado em 2009 pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), apontou que um percentual ainda maior, 62% dos recursos gastos com saúde, são custeados pelo cidadão, incluindo pessoas beneficiadas pelo programa Bolsa Família e pelos assalariados.
Em termos absolutos, o governo brasileiro destina à saúde da população um décimo do que os países europeus. Um brasileiro gasta quase duas vezes o que um europeu usa de seu próprio salário para saúde. Em média, apenas 23% dos gastos com a saúde na Europa, onde o sistema funciona, vêm dos bolsos dos cidadãos. Os governos se encarregam de cobrir a diferença, 75% no mínimo. Para a OMS, o montante dos recursos que um governo destina à saúde, reflete a preocupação que dedica ao setor. Os números brasileiros nos envergonham.
Pesquisa divulgada pelo Ibope, aponta que 61% da população desaprova o serviço público de saúde, classificando-o como “ruim” ou “péssimo”. Ainda segundo a pesquisa, encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), 85% dos brasileiros não perceberam qualquer avanço no sistema público de saúde nos últimos três anos.
A pesquisa apontou ainda que 95% das pessoas entrevistadas reconhecem a importância e a necessidade de se destinar mais recursos para a saúde, mas 96% não aceitam a criação de novos impostos para financiar o setor. 82% acreditam que os recursos adicionais para a saúde podem ser obtidos se o governo acabar com a corrupção. A pesquisa CNI/Ibope tem margem de erro de dois pontos percentuais. O levantamento foi realizado com 2002 pessoas em 141 municípios no período de 16 a 20 de setembro de 2011.
Essa pesquisa reflete a realidade do cidadão, da mulher que precisa exame de mamografia, do homem que precisa exame de próstata, da criança que precisa vacina. Faltam recursos federais. Os prefeitos se desdobram, os governadores fazem força, mas o Governo Federal não prioriza a saúde.
No ano passado, apesar dos esforços das várias entidades da área de saúde, dos Conselhos Nacional de Secretários Municipais de Saúde – CONASEMS, dos Secretários Estaduais de Saúde- CONASS, e de várias outras entidades da sociedade civil organizada tentou-se aprovar uma regulamentação da emenda constitucional 29/2.000, que ofertasse como financiamento por parte da união com os mesmos critérios hoje exigidos dos estados e dos municípios, ou seja, o critério da percentualidade. Hoje, pelo texto constitucional os estados estão obrigados a gastar 12% de suas receitas, enquanto que os municípios 15% com saúde. Esses entes ao longo do tempo, vem ampliando seus gastos, inclusive há municípios gastando mais de 30%.
A torneira dos desvios foi fechada com a publicação da Lei Complementar 141/2.012, que fixou o que são ações e serviços de saúde, entretanto, a questão do financiamento por parte da União continuará a mesma desde a promulgação da EC 29/2.000.
A idéia de se propor um novo projeto de lei complementar é o de buscar o de dar isonomia no trato do financiamento da saúde nas três esferas de governo, ou seja, a efetiva vinculação dos investimentos a percentuais da ”receita corrente bruta” sendo de 10% da União, 12% dos Estados e 15% dos Municípios.
Assim, é que contamos com o apoio da sociedade civil organizada, através das entidades da área de saúde, religiosas, hospitalares, de produtos para a saúde, OAB, enfim de toda a população para que possamos no menos tempo possível aprovar uma Lei que permita dar condições para que tenhamos uma saúde de qualidade em todo o país. A melhora da gestão deverá ser sempre uma constante, mas gestão sem recursos só mesmo com milagre e o papel do Congresso é refletir o que a sociedade deseja e já demonstrou desde 1988 na Constituição Federal que prevê que a saúde é um direito de todos e um dever do Estado.
Publicada por Campo Grande News
Os funcionários do setor da pediatria da Santa Casa, em Campo Grande, foram pegos de surpresa na madrugada deste domingo (29), quando parte do teto do setor de descanso desabou.
Conforme os funcionários, o risco de desabamento do setor já havia sido comunicado para a chefia de enfermagem. Os trabalhadores afirmam que o local é o único lugar para descanso.
“Trabalhamos 12 horas com intervalo de uma hora e não temos outra opção para descanso. O local é precário, não tem dignidade nenhuma”, desabafa um funcionário que prefere não ser identificado. Apesar do susto ninguém ficou ferido.
No entanto a posição da Santa Casa contrária a versão dos funcionários. Segundo informações da assessoria de imprensa o teto não desabou. O buraco na estrutura de gesso foi aberto pela equipe de manutenção para reparos no teto.
Segundo a assessoria, já tem uma semana que o setor de manutenção do prédio foi acionado para fazer os reparos necessários. Os funcionários foram tranqüilizados pela equipe de manutenção.

Diretoria da ABCG foi até ao juiz cobrar fiscalização da Santa Casa
Após se reunir com o juiz da Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais, Amaury da Silva Kuklinski, na tarde da última quarta-feira (25.01), a diretoria da ABCG aguarda nova decisão do magistrado. Segundo Kuklinski, até o final de fevereiro, a associação terá resposta sobre a execução da sentença judicial onde foram estipuladas medidas administrativas para a junta interventora da Santa Casa, as quais não foram cumpridas.
Durante a reunião, o juiz manteve seu posicionamento contrário a intervenção, e reconheceu mais uma vez que o procedimento não alcançou bons resultados. O presidente da ABCG, Wilson Teslenco, o questionou inúmeras vezes sobre a falta de fiscalização no hospital, numerando as deficiências da Santa Casa e a falha da junta interventora em cumprir as medidas impostas à intervenção.
Uma das medidas que deveriam ser cumpridas seria de zerar o déficit do hospital, o que não foi feito, hoje a dívida chega aos R$ 120 milhões e a junta interventora ainda realizou um empréstimo no valor de R$ 14 milhões.
“Precisamos de uma solução. No Brasil temos diversos casos onde a intervenção resultou no fechando de hospitais, não queremos ver a Santa Casa fechada. A intervenção não fez o que foi acordado e queremos que a sentença seja executada”, pontua Teslenco.
As medidas administrativas que deveriam ser cumpridas durante a intervenção foram ignoradas. A assessoria jurídica da ABCG relata que não houve prestação de contas da junta interventora no modo e no tempo devido; foram feitas contrações de empresas para terceirizar serviços. Além disso, houve redução do quadro de funcionários, antes da intervenção eram dois mil duzentos e cinqüenta e nove funcionários e hoje são pouco mais de 900.
Ao governo do Estado e a prefeitura ficou o compromisso de repassar verbas mensais necessárias ao hospital durante o período de intervenção. Para o descumprimento da medida, foi fixada uma multa diária no valor de R$ 10 mil, para ser depositada no Fundo Municipal de Saúde, além do decreto de prisão por descumprimento de ordem judicial.
Nenhum documento foi levado ao juiz, Kuklinski reconheceu e disse “Não chegou nada em minhas mãos”. O magistrado comentou que não sabia da mudança feita na junta interventora, realizada no ano passado com o pedido de demissão do então presidente Jorge Martins e do fato do governo do Estado ter assumido o hospital.
Para que não haja descumprimento das regras, o conselheiro fiscal da ABCG, Joelson Chaves, propôs ao magistrado a inclusão de membros da ABCG no hospital para realizar a fiscalização administrativa.
O advogado da associação, Carmelino Rezende, pressionou o juiz e frizou “A sentença tem que ser executada, ninguém faz nada e fica uma sentença unilateral”. Com o posicionamento do juiz de apresentar decisão no final do próximo mês, o presidente da associação reforça que em meados de fevereiro irá até o juiz para novamente tratarem do assunto e fazer com que a sentença judicial seja executada.
Nesta quarta-feira (25.01), a diretoria da Associação Beneficente de Campo Grande, mantenedora da Santa Casa de Misericórdia, irá se reunir com o juiz da Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, Amaury da Silva Kuklinski. O encontro será ás 14h, no gabinete do juiz, onde os diretores da ABCG discutirão sobre a fiscalização das medidas administrativas, impostas à junta interventora do hospital em razão da intervenção judicial ocorrida no final de 2007.
No ano passado, Kuklisnki alegou em despacho que a intervenção não alcançou os objetivos esperados, porém, não caberia ao judiciário realizar a fiscalização do hospital e sim ao Tribunal de Contas do Estado.
Em recente decisão contrária, o desembargador do Tribunal de Justiça do Estado, Fernando Mauro Marinho, confirmou a responsabilidade da justiça através de Kuklinski de fiscalizar e fazer cumprir as medidas administrativas.
De acordo com o advogado da ABCG, Carmelino Rezende, a sentença judicial de intervenção impõe muitas medidas e até agora a única executada foi o afastamento da associação da administração do hospital.
“Só afastaram a ABCG do hospital, mas existem outras ordens para serem cumpridas, por exemplo, o déficit ainda não foi zerado. Precisa ser realizada uma fiscalização urgente e vamos até ao juiz para que isso seja resolvido”, argumenta.
Publicada por Mídiamaxnews
Até que o instalador de ar condicionado R.R e sua mulher caíssem no giro das clínicas particulares que ficam no entorno da Santa Casa, e no vácuo do HR, ele e a mulher passaram por uma verdadeira prova de resistência na vida real, bem mais dura que os “realits shows” da televisão.
Ao contrário da TV, aqui a família teme que a sua imagem e nomes sejam divulgados porque o tratamento médico não se encerrou.
A sina começou no último dia 16, quando o instalador sofreu um grave acidente de trabalho, ao se desequilibrar de uma altura de três metros, e cair cima de uma escada.
Na queda, bateu a fronte do lado direito no cimento duro e teve imediato traumatismo craniano. Ele não conseguiu se proteger com as mãos.
Depois do forte impacto, o trabalhador ficou inconsciente até pouco antes que o Samu o atendesse, cerca de vinte minutos depois da queda. R.R teve um forte temor em uma das pernas, como se tivesse uma convulsão. E estava sem enxergar, ao lado do sangue e plasma que escorriam piso abaixo.
Atendido em estado de choque e em semiconsciência, foi levado para a Santa Casa, o hospital referência do MS em casos de traumatismos neurológicos, segundo informa a central de regulação do SAMU. Apesar de toda a modernização anunciada pelo governo estadual, o HR está fora deste circuito.
Ao chegar ao hospital ao mesmo tempo em que o Samu, a mulher do acidentado, S.R., encontrou o instalador vomitando e ainda sem enxergar.
E dos dois olhos, porque em 1998 o instalador sofreu um primeiro e grave acidente de trabalho, perdendo tragicamente o a visão esquerda, quando um prego penetrou o seu o olho.
Esposa relata alta inesperada
Sem poder entrar na emergência, a esposa foi informada que o neurocirurgião havia marcado uma avaliação por volta das 21horas do mesmo dia, para depois decidir-se pela alta, ou não – a chamada observação, comum em traumatismos cranianos semelhantes.
Mas, repentinamente , segunda a mulher, uma enfermeira lhe disse que a alta fora antecipada para 18 horas. Nervosa com a decisão, ao tentar saber o motivo, S.R. conta que não obteve resposta. E o marido ainda não enxergava dos dois olhos.
Nesta quinta-feira, 12 de janeiro, às 19h30, será realizada a solenidade de posse da nova diretoria da Associação Beneficente Campo Grande, mantenedora da Santa Casa de Misericórdia. Os novos nomes foram escolhidos em eleição ocorrida no dia 13 de dezembro. O arquiteto Wilson Teslenco foi reeleito presidente, tendo como vice o desembargador aposentado Abdalla Jallad. Ao lado dos demais diretores, estarão à frente da entidade durante o biênio 2012/2013.
Sobre a nova composição da diretoria, Teslenco reforça que são pessoas com ampla experiência na gestão pública e privada, convictos de que a intervenção não alcançou seus objetivos e preocupados com as condições em que o hospital se encontra.
“Estamos esperançosos, neste ano continuamos a luta para que aconteça a devolução da Santa Casa. A nova diretoria tem nomes de peso, pessoas que conhecem e que não estão contentes com a atual situação da Santa Casa, que vieram somar esforços para conquistar o nosso objetivo” enfatiza.
A posse será realizada na sede provisória da ABCG, que fica na Rua 14 de julho, 1640, centro de Campo Grande.
Nova diretoria a ser empossada:
Conselho Administrativo
Diretoria:
Presidente: Wilson Levi Teslenco
Vice-Presidente: Abdala Jallad
Primeiro Secretario: Esacheu Cipriano Nascimento
Segundo Secretário: Jesus Alfredo Ruiz Sulzer
Primeiro Tesoureiro: Carlos Henrique Santos Pereira
Segundo Tesoureiro: Luís Landes da Silva Pereira
Vogais:
(1) Pérsio Ailton Tosi
(2) Joelson Chaves de Brito
(3) Gilton de Almeida Silva
(4) Ricardo Augusto Bacha
(5) Valter Ribeiro de Araújo
(6) Heitor Rodrigues Freire
(7) Elias Gazal Dib
Conselho Fiscal
Titulares:
(1) Mario Antonio Cavinatto de Mello
(2) Yago João Chieregati Júnior
(3) Izaias Gomes Ferro
Suplentes:
(1) Alarico Reis D`Avila
(2) Marcos Alceu S. Villalba
(03) Carlos Liberato Portugal
Assessoria de Imprensa ABCG (67) 3044-1640
Publicada por Mídamax News
A Santa Casa, um hospital privado, mas sob intervenção do governo estadual e da prefeitura de Campo Grande desde 2005, está sob administração do poder público por mais de cinco anos e chegou ao seu limite. A situação extremamente crítica, vivenciada por milhares de cidadãos que não podem pagar por planos de assistência privados, está incontrolável.
Ontem, o Midiamax passou parte da manhã dentro do pronto socorro de maior movimento no estado. O volume de atendimentos é tão alto que só até o dia 16, desse mês de março, haviam passado pela urgência 3.281 pacientes. O que dá uma média de mais de 6 mil pacientes/ mês, segundo dados da direção do hospital.
Pacientes com problemas mais comuns de saúde, ou politraumatizados em estado gravíssimo, trazidos por viaturas do SAMU, se avolumam em salas improvisadas pelos corredores do PS.
As salas atendem uma padronização do ministério da Saúde, que classifica as urgências em zonas divididas por cores que variam do pior estado clínico para o melhor – vermelho, amarelo e verde. Nessas salas, a crise de falta de vagas salta aos olhos.
Pacientes classificados como “sala vermelha”, às vezes inconscientes, que deveriam estar numa UTI completa devido à sua fragilidade clínica, lotam a Emergência. Nela, por exemplo, só há espaço para seis pacientes usarem o equipamento de intubação respiratória, no caso de problemas nos sistemas respiratório e cardiovascular ou em outros órgãos vitais. Mas ontem pela manhã, 14 pacientes graves ocupavam toda a sala.
Quando a situação se agrava pela falta de respiradores, os enfermeiros usam o “ambu”, um sistema manual que pode causar lesões eventuais nos pulmões.
“Não deveriam estar lá. Estão ali internados, provisoriamente, porque não tem leito disponível na UTI”, afirma o diretor técnico da Santa casa, Dr. Geraldo Marcos Faria.
Na verdade, os pacientes ficam retidos na Emergência porque a ala da UTI destinada ao SUS não tem leitos suficientes para a demanda, já que a Santa Casa centraliza atendimentos do estado inteiro, de convênios e também particulares.
PONTO CRÍTICO
Os pacientes da “sala vermelha” têm que esperar pelas vagas de quem sai da UTI, mas aí surge uma “trava” no sistema. Quem melhora na UTI precisa completar o tratamento na unidade chamada Centro de Terapia Intensiva, CTI, porque ainda depende de cuidados especiais. Mas 18 leitos de CTIs estão desativados, à espera de investimentos em reformas. Além disso, para que haja rotatividade de pacientes na própria CTI, a unidade requer salas do chamado “semi-crítico”, que acolhe o paciente quase recuperado. Mas a Santa Casa não dispõe de salas do “semi-crítico” e a fila não anda.
Assim, os pacientes ficam retidos na Emergência do PS até que surja uma vaga. E quando nem ao menos há possibilidade de internação na “sala vermelha”, acabam permanecendo nas próprias ambulâncias do SAMU, como o ocorrido ontem mesmo.
Uma declaração curta do diretor clínico da Santa Casa, Dr. Luiz Alberto Hiroki Kanamura, define a postura da diretoria do hospital. “Todos os nossos esforços para atender a demanda estão esgotados. Eu até abri a sala de cirurgia cardíaca para atender pacientes de clínica ortopédica”, garante.
Na sala do setor “amarelo” a situação é idêntica. Os pacientes ocupam todos os espaços porque não há leitos disponíveis para internação. E quando a própria sala fica pequena, as macas tomam os corredores. “Tem que internar, acolher, colocar macas nos corredores”, repete o Dr. Geraldo Faria.
Ainda restam os pacientes menos graves, em observação, retidos na “sala verde”, e mais uma vez a crise no atendimento é a mesma, no caso do SUS.
HOSPITAL PEDE TRANSFERÊNCIAS
Embora tenha 591 leitos disponíveis no momento, três vezes por dia a direção da Santa Casa envia relatório de pacientes na fila de espera para que sejam removidos para outros hospitais.
Ontem pela manha o Centro Estadual de regulação, órgão do governo do estado informou que precisava transferir 28 pacientes que aguardavam vagas nos corredores, 6 que esperavam por exames. E que na Sala de Emergência haviam mais outros 10 doentes graves. Ao lado da relação, um aviso: “Alguns pacientes necessitam cuidados de UTI, que não dispomos no momento, solicito providências de vagas”. No mesmo sentindo ouvimos um telefonema para o Secretário Municipal de Saúde Pública, Leandro Mazina Martins.
Os pedidos esbarram em dificuldades dos outros grandes hospitais do estado. O Hospital Universitário apresenta quadro semelhante ao da Santa Casa e o Hospital Regional, do próprio estado, que teoricamente deveria receber os investimentos públicos do SUS, tem serviços, alas, leitos desativados e equipamentos quebrados.
O Dr. Kanamura deu um exemplo da situação do HR:
- Há duas semanas, uma criança engoliu uma pilha e veio pra cá. A Santa Casa não tem endoscopia pediátrica, que é referência do Hospital Regional. A central de regulação deu a vaga no HR, mas logo depois cancelaram, porque o equipamento estava quebrado. A criança nem saiu daqui. Por sorte, a pilha era pequena e a criança pôs pra fora.”
VERBAS FEDERAIS
Para manter o atendimento o Hospital recebe, mensalmente do SUS, a quantia de R$ 5.700 milhões pelo uso de 591 leitos e a realização de 1.756 cirurgias em fevereiro, segundo a direção da Santa Casa.
Mesmo assim, no momento, não faz cirurgias eletivas, que são aquelas programadas para evitar o agravamento das doenças. Não há centro cirúrgico disponível e nem leitos. Se não conseguir tratamento, o paciente que precisa de uma operação volta ao SUS quando estiver com o quadro de saúde agravado, e entra no sistema pela porta da emergência, a vermelha.