A diretoria da Associação Beneficente Campo Grande, mantenedora da Santa Casa de Misericórdia, esteve reunida na última semana com membros das principais lideranças maçônicas de Campo Grande para mostrar as questões que envolvem o maior hospital do Estado, além de buscar apoio formal em prol da devolução da instituição.

Foram realizadas duas reuniões. Na Grande Oriente do Brasil, o grão-mestre Márcio Lolli Ghetti, foi receptivo com a diretoria e o encontro reuniu aproximadamente vinte veneráveis.

Na Grande Loja Maçônica, o grão-mestre Jordão Abreu da Silva Jr, também se mostrou atencioso com os diretores, ambos disponibilizaram apoio à causa da ABCG.

Durante as reuniões o presidente da ABCG, Wilson Teslenco, fez uma apresentação pontuando as principais deficiências do hospital e relatou a luta da ABCG desde os primeiros anos de intervenção, mostrando documentos judiciais e citando graves problemas que a Santa Casa tem enfrentado, como desabamentos, paralisações e fechamento de setores.

“Ficamos profundamente honrados com a acolhida da maçonaria. Nossa intenção com a divulgação destes fatos é conquistar o apoio formal da sociedade organizada para que a Santa Casa possa ser resgatada da situação caótica em que se encontra”, acrescenta Teslenco.

Para este ano, a mantenedora da Santa Casa planeja visitar diversas instituições, assim como outros formadores de opinião. O objetivo dos encontros é discutir os problemas oriundos da intervenção e a luta da ABCG pela recuperação da Santa Casa.

Assessoria de Imprensa da ABCG

 

Média de atendimento do Prontomed é de 26 consultas por dia, que serão transferidas para a emergência do hospital que já contabiliza diariamente, 50 consultas pediátricas

Publicada por Campo Grande News

Com o fechamento do setor de pediatria do Prontomed, já anunciado na semana passada e confirmado hoje pelo diretor-presidente da junta administrativa da Santa Casa, Issam Moussa, durante coletiva, a contagem regressiva começa. A partir de março, quando a determinação entra em vigor, o problema vai ser a pediatria do Pronto Socorro sobrecarregada.

Para se ter noção, a média de atendimento dos nove pediatras do Prontomed é de 26 consultas por dia, que serão transferidas para a emergência do hospital que já contabiliza diariamente, 50 consultas pediátricas. Isso feito somente por dois pediatras.

“Não é muito atender 50 pacientes em um dia. Sou médico e acho que não é muito”, comenta Moussa, relacionando o atendimento à portaria do Ministério da Saúde que estabelece a média de 15 minutos por consulta.

Além de sobrecarregar o Pronto Socorro, a medida tomada pela junta administrativa deve concentrar pacientes no Hospital da Criança e São Lucas.

“Não estamos fechando as portas, estamos cortando gastos com pediatras”, explica o diretor-presidente.

A partir de março a pediatria do Prontomed mantém apenas a internação. O atendimento de urgência e emergência que era realizado no setor passa todo para o Pronto Socorro da Santa Casa e vai ficar concentrado no SUS.

“É importante dizer para a sociedade que ela não vai deixar de ser assistida. Ali no Pronto Socorro trabalham dois pediatras que vão continuar recebendo atendimento”, reforçou Issam Moussa.

Criado há 20 anos, a pediatria do Prontomed é o único setor onde os médicos são profissionais celetistas, que seguem a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e não por produtividade e somam R$ 80 mil à folha de pagamento.


A “economia”, defendida pela junta com o fechamento da unidade, será de mais de 50%. Em um cálculo apresentado hoje durante a coletiva, se os celetistas seguissem a remuneração por produtividade, como as demais especialidades, a folha de pagamento ficaria em R$ 25 mil.

“A Santa Casa não tem obrigação de ficar pagando para médico pediatra atender plano de saúde. Não tem que arcar com ônus desses pediatras. Se quiser atendimento, os planos de saúde vão ter que arcar com isso”, ressaltou Moussa.

Questionado sobre o por que a medida foi adotada apenas agora, depois de anos de funcionamento, o diretor diz “cabe a antiga administração dizer. Quando nós assumimos nos comprometemos a fazer o que tinha que ser feito”.

Ainda na tentativa de reverter a decisão, a Unimed e a Cassems entraram em contato para negociar com a administração do hospital. Uma reunião com a Cassems está prevista para a próxima quarta-feira.

Com fechamento, a Santa Casa já anunciou onde pretende investir. A hora de plantão paga para enfermeiros e médicos vai subir de R$ 52 para R$ 80.

A alternativa para os profissionais é de passar de celetista para remuneração por produção, o que quer dizer ganhar pela consulta que realizar e não um salário fixo. A posição do Sinmed-MS (Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul) é contrária ao que é oferecido.

“Seria submeter para um trabalho autônomo”, explica o presidente do Sindicato João Batista Botelho.

“Vai faltar médico, com certeza, mas os profissionais também têm direito de lutar para manter o contrato”, enfatiza.

Segundo o sindicato a decisão vai depender da classe médica em cima do que a empresa propor.

 

Publicada no site do deputado Darcísio Perondi

Parlamentar gaúcho apresentou novo Projeto de Lei Complementar e pretende que União seja obrigada a gastar um percentual fixo para financiar o SUS

 

O ano legislativo foi aberto oficialmente nessa quinta-feira (03), em sessão conjunta do Congresso Nacional, e um tema deverá merecer destaque nos debates em 2012: o financiamento da saúde. O presidente da Frente Parlamentar da Saúde, deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), se antecipou e apresentou o Projeto de Lei Complementar nº 123/2012, obrigando a União a investir o equivalente a 10% de suas receitas correntes brutas para financiar as ações e os serviços públicos de saúde.

A decisão de Perondi foi tomada depois que a Câmara dos Deputados aprovou, em dezembro de 2011, a Regulamentação da Emenda Constitucional 29 na forma como queria o Governo e não a defendida pela Frente Parlamentar e pelas dezenas de entidades nacionais ligadas ao setor de saúde. Além de definir com clareza o que são ações e serviços de saúde, a Lei fixou percentuais mínimos de investimentos em saúde para os estados (12%) e para os municípios (15%). A União usou seu rolo compressor e ficou livre de um percentual mínimo – precisa investir em saúde apenas o que foi empenhado no ano anterior, mais a variação nominal do Produto Interno Bruto (PIB).

Segundo explicou Darcísio Perondi, quando o Governo impediu que 10% de suas receitas correntes brutas fossem destinadas à saúde, chamou para si a responsabilidade de descobrir novas fontes de financiamento do SUS. “O próprio Governo Federal admite a necessidade de mais R$ 45 bilhões para manter o SUS minimamente funcionando. Então é preciso encontrar formas de se destinar mais recursos para a saúde. Esse será o nosso foco este ano”, afirmou.

Na justificativa apresentada no PLP 123/2012, Darcísio Perondi explica que o SUS prima pela integralidade e pela universalidade e dele dependem 190 milhões de brasileiros. Mas a União vem deixando a responsabilidade para as prefeituras, que gastam, em média, 22% de suas receitas com saúde. Em 1980, a esfera federal respondia por 75% dos gastos com saúde. Hoje, responde com menos de 40%, cerca de 1,75% do PIB. Segundo Perondi, o custo saúde no Brasil aumenta a cada ano e a remuneração do sistema, há décadas, não cobre sequer a inflação.

“O orçamento é insuficiente para atender aos preceitos de universalidade e integralidade do Sistema Único de Saúde (SUS) e a crise de atendimento cresce para todos os brasileiros”, alertou Perondi.

 

DSC 2240 500x335 Perondi quer resgatar os 10% para a saúde

Foto (Agência Edison Castêncio)

 

Abaixo, o texto do PLP 123/2012 e sua Justificativa:

PROJETO DE LEI COMPLEMENTAR Nº 123, DE 2012

(Do Sr. Darcísio Perondi)

Regulamenta o § 3o do art. 198 da Constituição Federal para dispor sobre os valores mínimos a serem aplicados anualmente pela União. Revoga dispositivo da Lei Complementar 141 de 13 de janeiro de 2.012.

O CONGRESSO NACIONAL decreta:

Art. 1° Esta Lei Complementar institui nos termos do § 3º do art. 198 da Constituição Federal o valor mínimo e normas de cálculo do montante mínimo a ser aplicado, anualmente, pela União em ações e serviços públicos de saúde;

Art. 2º A União aplicará, anualmente, em ações e serviços públicos de saúde, no mínimo, o montante equivalente a dez por cento de suas receitas correntes brutas, nos termos do § 1º do art. 11 da Lei n° 4.320, de 17 de março de 1964, constantes de anexo à lei orçamentária anual referente às receitas dos orçamentos fiscal e da seguridade social, excluídas as restituições tributárias, e observado o disposto no § 2º.

§ 1º É vedada a dedução ou exclusão de qualquer parcela de receita vinculada à finalidade específica ou transferida aos demais entes da Federação a qualquer título.

§ 2º O percentual previsto no caput será integralizado evoluindo de, no mínimo, oito e meio por cento no ano da aprovação desta lei; para nove por cento no segundo ano, nove e meio por cento no terceiro ano, alcançando dez por cento no quarto ano.

Art.3 – Revoga-se o Art. 5º da Lei Complementar 141, de 13 de janeiro de 2012.

Art. 4º. Esta Lei Complementar entra em vigor na data de sua publicação.

 

JUSTIFICATIVA

Desde o ano 2000 com a promulgação da Emenda Constitucional 29, que a população brasileira aguarda uma melhora na qualidade dos serviços de saúde postos à disposição da população. Muito se fez de lá para cá, entretanto, a cada ano pode-se perceber que, além da necessidade de melhora da gestão, o grande gargalo é mesmo a fonte de financiamento, pois os recursos que a saúde conta atualmente são absolutamente insuficientes para que a população tenha uma saúde de qualidade.

O SUS prima pela integralidade e pela universalidade e dele dependem 190 milhões de brasileiros. Mas a União vem deixando a responsabilidade para as prefeituras, que gastam, em média, 22% de suas receitas com saúde. Em 1980, a esfera federal respondia por 75% dos gastos com saúde. Hoje, responde com menos de 40%, cerca de 1,75% do PIB. Está aí a raiz do problema. O custo saúde no Brasil aumenta a cada ano e a remuneração do sistema, há décadas, não cobre sequer a inflação.

Há pelo menos oito anos a Frente Parlamentar da Saúde e a Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara vêm batendo na mesma tecla: o orçamento é insuficiente para atender aos preceitos de universalidade e integralidade do Sistema Único de Saúde (SUS) e a crise de atendimento cresce para todos os brasileiros. Essa triste situação ganhou contornos internacionais com a divulgação, em Genebra (Suíça), do relatório anual da Organização Mundial de Saúde – OMS. De acordo com o documento, que usa dados de 2008 – os últimos disponíveis, o governo brasileiro é um dos que menos investe em saúde no mundo, 6% de seu orçamento. O gasto é bem inferior que a média africana, de 9,6%.

A OMS revelou que, em média, 13,9% dos orçamentos nacionais vão para a saúde. Nos países ricos, a taxa chega a 17%. Foram avaliados 192 países e o Brasil ocupa a vergonhosa 151ª posição. Os números evidenciam que a saúde não é prioridade dos nossos governantes. Segundo o relatório, a maior parte dos gastos com saúde no Brasil (56%) sai dos bolsos das famílias dos pacientes e de planos de saúde privados. Outro estudo, divulgado em 2009 pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), apontou que um percentual ainda maior, 62% dos recursos gastos com saúde, são custeados pelo cidadão, incluindo pessoas beneficiadas pelo programa Bolsa Família e pelos assalariados.

Em termos absolutos, o governo brasileiro destina à saúde da população um décimo do que os países europeus. Um brasileiro gasta quase duas vezes o que um europeu usa de seu próprio salário para saúde. Em média, apenas 23% dos gastos com a saúde na Europa, onde o sistema funciona, vêm dos bolsos dos cidadãos. Os governos se encarregam de cobrir a diferença, 75% no mínimo. Para a OMS, o montante dos recursos que um governo destina à saúde, reflete a preocupação que dedica ao setor. Os números brasileiros nos envergonham.

Pesquisa divulgada pelo Ibope, aponta que 61% da população desaprova o serviço público de saúde, classificando-o como “ruim” ou “péssimo”. Ainda segundo a pesquisa, encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), 85% dos brasileiros não perceberam qualquer avanço no sistema público de saúde nos últimos três anos.

A pesquisa apontou ainda que 95% das pessoas entrevistadas reconhecem a importância e a necessidade de se destinar mais recursos para a saúde, mas 96% não aceitam a criação de novos impostos para financiar o setor. 82% acreditam que os recursos adicionais para a saúde podem ser obtidos se o governo acabar com a corrupção. A pesquisa CNI/Ibope tem margem de erro de dois pontos percentuais. O levantamento foi realizado com 2002 pessoas em 141 municípios no período de 16 a 20 de setembro de 2011.

Essa pesquisa reflete a realidade do cidadão, da mulher que precisa exame de mamografia, do homem que precisa exame de próstata, da criança que precisa vacina. Faltam recursos federais. Os prefeitos se desdobram, os governadores fazem força, mas o Governo Federal não prioriza a saúde.

No ano passado, apesar dos esforços das várias entidades da área de saúde, dos Conselhos Nacional de Secretários Municipais de Saúde – CONASEMS, dos Secretários Estaduais de Saúde- CONASS, e de várias outras entidades da sociedade civil organizada tentou-se aprovar uma regulamentação da emenda constitucional 29/2.000, que ofertasse como financiamento por parte da união com os mesmos critérios hoje exigidos dos estados e dos municípios, ou seja, o critério da percentualidade. Hoje, pelo texto constitucional os estados estão obrigados a gastar 12% de suas receitas, enquanto que os municípios 15% com saúde. Esses entes ao longo do tempo, vem ampliando seus gastos, inclusive há municípios gastando mais de 30%.

A torneira dos desvios foi fechada com a publicação da Lei Complementar 141/2.012, que fixou o que são ações e serviços de saúde, entretanto, a questão do financiamento por parte da União continuará a mesma desde a promulgação da EC 29/2.000.

A idéia de se propor um novo projeto de lei complementar é o de buscar o de dar isonomia no trato do financiamento da saúde nas três esferas de governo, ou seja, a efetiva vinculação dos investimentos a percentuais da ”receita corrente bruta” sendo de 10% da União, 12% dos Estados e 15% dos Municípios.

Assim, é que contamos com o apoio da sociedade civil organizada, através das entidades da área de saúde, religiosas, hospitalares, de produtos para a saúde, OAB, enfim de toda a população para que possamos no menos tempo possível aprovar uma Lei que permita dar condições para que tenhamos uma saúde de qualidade em todo o país. A melhora da gestão deverá ser sempre uma constante, mas gestão sem recursos só mesmo com milagre e o papel do Congresso é refletir o que a sociedade deseja e já demonstrou desde 1988 na Constituição Federal que prevê que a saúde é um direito de todos e um dever do Estado.

 

Diretoria da ABCG foi até ao juiz cobrar fiscalização da Santa Casa

Após se reunir com o juiz da Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais, Amaury da Silva Kuklinski, na tarde da última quarta-feira (25.01), a diretoria da ABCG aguarda nova decisão do magistrado. Segundo Kuklinski, até o final de fevereiro, a associação terá resposta sobre a execução da sentença judicial onde foram estipuladas medidas administrativas para a junta interventora da Santa Casa, as quais não foram cumpridas.

Durante a reunião, o juiz manteve seu posicionamento contrário a intervenção, e reconheceu mais uma vez que o procedimento não alcançou bons resultados. O presidente da ABCG, Wilson Teslenco, o questionou inúmeras vezes sobre a falta de fiscalização no hospital, numerando as deficiências da Santa Casa e a falha da junta interventora em cumprir as medidas impostas à intervenção.

Uma das medidas que deveriam ser cumpridas seria de zerar o déficit do hospital, o que não foi feito, hoje a dívida chega aos R$ 120 milhões e a junta interventora ainda realizou um empréstimo no valor de R$ 14 milhões.

“Precisamos de uma solução. No Brasil temos diversos casos onde a intervenção resultou no fechando de hospitais, não queremos ver a Santa Casa fechada. A intervenção não fez o que foi acordado e queremos que a sentença seja executada”, pontua Teslenco.

As medidas administrativas que deveriam ser cumpridas durante a intervenção foram ignoradas. A assessoria jurídica da ABCG relata que não houve prestação de contas da junta interventora no modo e no tempo devido; foram feitas contrações de empresas para terceirizar serviços. Além disso, houve redução do quadro de funcionários, antes da intervenção eram dois mil duzentos e cinqüenta e nove funcionários e hoje são pouco mais de 900.

Ao governo do Estado e a prefeitura ficou o compromisso de repassar verbas mensais necessárias ao hospital durante o período de intervenção. Para o descumprimento da medida, foi fixada uma multa diária no valor de R$ 10 mil, para ser depositada no Fundo Municipal de Saúde, além do decreto de prisão por descumprimento de ordem judicial.

Nenhum documento foi levado ao juiz, Kuklinski reconheceu e disse “Não chegou nada em minhas mãos”. O magistrado comentou que não sabia da mudança feita na junta interventora, realizada no ano passado com o pedido de demissão do então presidente Jorge Martins e do fato do governo do Estado ter assumido o hospital.

Para que não haja descumprimento das regras, o conselheiro fiscal da ABCG, Joelson Chaves, propôs ao magistrado a inclusão de membros da ABCG no hospital para realizar a fiscalização administrativa.

O advogado da associação, Carmelino Rezende, pressionou o juiz e frizou “A sentença tem que ser executada, ninguém faz nada e fica uma sentença unilateral”. Com o posicionamento do juiz de apresentar decisão no final do próximo mês, o presidente da associação reforça que em meados de fevereiro irá até o juiz para novamente tratarem do assunto e fazer com que a sentença judicial seja executada.

 

Nesta quarta-feira (25.01), a diretoria da Associação Beneficente de Campo Grande, mantenedora da Santa Casa de Misericórdia, irá se reunir com o juiz da Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, Amaury da Silva Kuklinski. O encontro será ás 14h, no gabinete do juiz, onde os diretores da ABCG discutirão sobre a fiscalização das medidas administrativas, impostas à junta interventora do hospital em razão da intervenção judicial ocorrida no final de 2007.

No ano passado, Kuklisnki alegou em despacho que a intervenção não alcançou os objetivos esperados, porém, não caberia ao judiciário realizar a fiscalização do hospital e sim ao Tribunal de Contas do Estado.

Em recente decisão contrária, o desembargador do Tribunal de Justiça do Estado, Fernando Mauro Marinho, confirmou a responsabilidade da justiça através de Kuklinski de fiscalizar e fazer cumprir as medidas administrativas.

De acordo com o advogado da ABCG, Carmelino Rezende, a sentença judicial de intervenção impõe muitas medidas e até agora a única executada foi o afastamento da associação da administração do hospital.

“Só afastaram a ABCG do hospital, mas existem outras ordens para serem cumpridas, por exemplo, o déficit ainda não foi zerado. Precisa ser realizada uma fiscalização urgente e vamos até ao juiz para que isso seja resolvido”, argumenta.

 

A chama de um ideal

jan 4, 2012

 

Publicada pelo site Campo Grande News

No último dia 12, a Associação Beneficente de Campo Grande, proprietária e instituidora da Santa Casa de Campo Grande, elegeu a diretoria que regerá os seus destinos no biênio 2012/2013.

Apesar de todos os percalços, dificuldades interpostas em seu caminho e de todos os insucessos judiciais momentâneos, a Associação resiste impávida, corajosa, serena, lastreada no sonho que sempre norteou os seus caminhos, desde a sua criação.

Um ideal iluminou os corações e as mentes de Eduardo Santos Pereira, Bernardo Franco Baís, Augusto Silva, Otaviano de Mello, Benjamin Corrêa da Costa, Enoch Vieira de Almeida, dr. Eusébio Teixeira (médico militar, primeiro presidente), e o engenheiro Camillo Boni (autor do projeto inicial com quarenta leitos), que encabeçaram uma lista com os seguintes dizeres: “Lista destinada à inscripção das pessoas que contribuem, dando uma esmola, para a creação da Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande, refúgio, em breve tempo, dos doentes pobres e desvalidos”.

Cento setenta e oito cidadãos se cotizaram com valores variando de 5$000 (cinco mil réis) a 500$000 (quinhentos mil-réis), totalizando 27.080$000 (vinte e sete contos e oitenta mil réis). (in Rica História de Amor ao Próximo- dr. Arthur D’Àvila Filho).

A esses cidadãos altruístas e pioneiros juntaram-se Rogério Casal Caminha, dr. Arlindo de Andrade Gomes (primeiro juiz de Campo Grande) e tantos outros, ao longo dos anos. Se fossemos nomeá-los, utilizaríamos talvez uma edição de jornal. Hoje somos 135 associados.

A chama do ideal que iluminou essas pessoas não morreu. Nem morrerá jamais, pois que os atuais associados da Associação Beneficente de Campo Grande não permitirão que isso aconteça, principalmente como tributo e respeito a quem se dedicou com tanta garra e tanto entusiasmo para servir à causa da população, repetindo: “refúgio, em breve tempo, dos doentes pobres e desvalidos”.

A diretoria recém eleita tem a seguinte constituição: presidente – Wilson Levi Teslenco; vice-presidente Abdalla Jallad; primeiro secretário – Esacheu Cipriano do Nascimento; segundo secretário – Jesus Alfredo Ruiz Sülzer; primeiro tesoureiro – Carlos Henrique Santos Pereira; segundo tesoureiro – Luis Landes da Silva Pereira. Foram eleitos também sete vogais (eu faço parte do conselho de vogais) e os membros titulares e suplentes do conselho fiscal.

Entre os presentes à assembléia geral de eleição, pessoas das mais representativas da nossa sociedade, como, por exemplo, Ruben Figueiró de Oliveira, Juvêncio Cesar da Fonseca, Valter Pereira, Laucídio Coelho Neto, Henrique Martins Neto, José Augusto Lopes Sobrinho, Jairo Faracco, Izaías Gomes Ferro, Ricardo Augusto Bacha, Valter Ribeiro, Leonardo Nunes da Cunha, Mário Eugênio Perón. Peço vênia aos demais participantes por não haver espaço para citar a todos.

O certo é que as instalações da nossa Associação foram pequenas para abrigar tantas pessoas que foram dar o seu apoio à nossa Santa Casa neste momento difícil. Pela grande e significativa presença bem demonstra que o espírito que sempre norteou a nossa instituição está mais vivo do que nunca.

Aristóteles foi dos primeiros a observar que nos tornamos as pessoas que somos devido às nossas próprias decisões. E coerentes com essa atitude é que os nossos associados tem o estímulo intrínseco de continuar na luta, até a vitória final com a retomada do hospital.

A nossa diretoria tem constantemente assinalado o seu propósito de estabelecer um projeto de união com o poder público, com os enfermeiros, médicos e demais instituições empresariais e classistas, para constituir uma ação conjunta que tenha como único objetivo o de servir condignamente à nossa população.

A natureza contagiante de uma atitude corajosa por parte de alguém pode inspirar um grupo inteiro. É o que tem acontecido com os associados da nossa Associação que, desde o começo da invasão que sofreu a nossa Santa Casa, se sentiram unidos e assim permanecem. A exemplo de Sócrates que declarou com absoluta seriedade em seu julgamento: “Enquanto eu respirar não pararei de praticar a filosofia…” nós também, enquanto respirarmos, continuaremos a praticar a nossa filosofia: “Bem servir à nossa população”.

A fé que une os nossos associados acrescenta uma dimensão significativa ao nosso trabalho. A fé é uma fonte de disciplina, força e poder; a fé em nossos ideais, compartilhada, nos dá a energia necessária para a continuação da nossa luta e contribui para a forma e conteúdo que guiam as nossas aspirações.

Assim, mais uma vez firmes e coesos, aguardamos a iniciativa de nossas autoridades para nos devolver o que nos pertence por justiça e herança deixada pelos fundadores da nossa Associação e cujo legado sempre honramos com trabalho, dedicação, competência e perseverança.

(*) Heitor Freire é advogado e associado da Associação Beneficente da Santa Casa.

 

Publicada por Mídiamaxnews

Médicos ortopedistas da Santa Casa de Campo Grande estão pedindo demissão do hospital por falta de condições de trabalho e baixo salário.

Segundo informações, os médicos estariam insatisfeitos com os salários pagos a categoria e com as condições de trabalho oferecidas no local.

A assessoria do Sindicato de Médicos de Mato Grosso do Sul confirma que está havendo demissões do hospital pelos problemas citados. Entretanto disse que não é debandada. O sindicato não soube precisar quantos médicos já pediram demissão do hospital.

O Conselho Regional de Medicina, por meio de sua assessoria, informou que até o momento não recebeu nenhuma informações sobre o assunto e por isso não iria se manifestar.

Já a assessoria da Santa Casa nega que esteja enfrentando o problema e informou que todos estão trabalhando normalmente no setor de ortopedia.

Questionada, a assessoria da Santa Casa não soube precisar quantos médicos estão no quadro atual da ortopedia e quantos estavam a seis meses atrás.

A Santa Casa e o Hospital Universitário são os hospitais credenciados pelo SUS para atendimento de ortopedia. O Hospital Regional de Mato Grosso do Sul não tem centro ortopédico. Com as demissões, seriam médicos a menos atendendo a população que precisa deste serviço.

 

A Associação Beneficente Campo Grande, mantenedora da Santa Casa, manifesta sua indignação com o fechamento do setor de psiquiatria do maior hospital do Estado. Segundo matéria publicada por sites de notícias, a junta interventora declarou que existem falhas no setor e muitas delas surgem pela falta de estrutura do Centro de Atenção Psicossocial – CAPS.

“Infelizmente, a cada dia vemos vários problemas na Santa Casa. São filas nos corredores; prédio e equipamentos sucateados e até desmoronamentos que nos sensibilizam e nos deixam entristecidos com a situação em que o hospital se encontra”, completou o presidente da ABCG, Wilson Teslenco.

A mantenedora do hospital lamenta o fato e relembra que o fechamento do setor é reflexo da má-gestão hospitalar e infelizmente o paciente que necessita do atendimento psiquiátrico é o mais atingido.

“Hoje são os pacientes com a saúde mental debilitada que serão prejudicados, há alguns meses foram as pessoas que necessitavam de hemodiálise que tiveram de ser levadas para outro local porque na Santa Casa o setor tinha desmoronado. Há cada dia ocorre um fato novo que atinge e faz sofrer os usuários ”, complementa Teslenco.

Segundo Luiz Salvador de Miranda Sá, responsável pelo setor de psiquiatria desde  1967, a ala atende entre 1,2 a 1,5 mil pacientes ao ano. Conforme Miranda, o setor conta com apenas 10 médicos residentes, número abaixo do necessário para realizar o atendimento de pacientes que necessitam de tratamento. Ele também afirma que a situação se tornou crítica no hospital nos últimos dias, quando foram registrados 350 atendimentos.

Referência em saúde pública no Estado, a Santa Casa de Campo Grande enfrenta diversos problemas após ter sofrido intervenção. Alguns fatores, como a falta de manutenção nos equipamentos e a dívida do hospital, são problemas que têm marcado o processo de intervenção. A ABCG luta na justiça pela retomada da Santa Casa antes que ela seja interditada.

 

Publicada por Mídiamaxnews

Cerca de 50 pacientes da ortopedia da Santa Casa de Campo Grande vivem uma situação caótica nos corredores do hospital por causa da falta de vagas nos alojamentos das enfermarias e salas de cirurgia. Quem está nos corredores chega a comparar o local a um cenário de atendimento médico num ambiente de guerra.

Algumas pessoas estão há cinco dias no corredor sem água e sem comida, situação relatada pelo alinhador de serralheria Getúlio Machado da Silva, 28, que levou cinco tiros e está no corredor desde a semana passada. O jejum, que se estendeu neste caso, é necessário para a cirurgia.

“Desde sábado sem tomar água e sem comer, eu pergunto quando vou para a cirurgia, falam calma, calma”, diz.

Na mesma situação está o radialista Marcelo Zucolot, 25, que sofreu um acidente de moto em Bonito.

Seis trabalhadores da enfermagem do setor estão afastados por problemas psiquiátricos e de coluna. De acordo com o sindicato da categoria, os problemas de coluna se repetem entre os profissionais da enfermagem em virtude do peso de pacientes que precisam de ajuda na locomoção.

No total, apenas seis técnicos de enfermagem cuidam dos quase 90 pacientes que estão nos corredores, 11 alojamentos e Pronto Socorro, de acordo com o Siems (Sindicato de Enfermagem de Mato Grosso do Sul).

Segundo o secretário geral do Siems, Lázaro Antônio Santana, para solucionar o problema seria necessário ampliar a capacidade do hospital, com a construção de mais alojamentos, centros cirúrgicos e contratação de mão de obra na enfermagem.

 

 

Publicado por Mídiamaxnews

  A Justiça determinou, por liminar, que a Associação Beneficente de Campo Grande, Santa Casa, custeie o          tratamento e medicamentos necessários, inicialmente custeados pela família de R.S.A., de 5 anos e Heloísa Helena  de Andrade Campos Widal, mãe da criança.
 Os custeios devem cobrir as despesas com exames, consultas com especialistas das áreas médicas pertinentes,  neurologia e psicologia, e, caso necessário, medicamentos para o tratamento da mãe e do filho atingidos. A ação  pede que os médicos especialistas que tratarem da mãe e do filho não tenham vínculo com a Santa Casa. A família  também pede indenização por dano moral.