Em entrevista concedida ao site Campo Grande News, o procurador do Ministério Público do Trabalho, Paulo Douglas de Almeida Moraes declarou que o que o que está acontecendo hoje dentro da Santa Casa, maior hospital de Mato Grosso do Sul se refere à má gestão hospitalar.
Durante visita a Santa Casa, após receber denúncia do Siems – Sindicato de Enfermagem, de que enfermeiros estariam fazendo respiração manual nos pacientes, o procurador constatou o uso intensivo dos ‘ambus’ enquanto aparelhos respiratórios em bom estado, uns até de última geração, estão parados.“Há um claro problema de gestão. Os equipamentos necessários estão à disposição”, pontuou o procurador.
Ainda durante a entrevista, o procurador disse que a direção do hospital não conseguiu dar uma explicação razoável sobre os seis respiradores adultos e três infantis que estão ociosos. “Também é curioso que a sala de emergência tenha 12 pontos de saída de sar comprimido, mas suporta apenas seis equipamentos funcionando simultaneamente”, relata o procurador.
Diante deste cenário o presidente da Associação Beneficente Campo Grande, mantenedora da Santa Casa, Wilson Teslenco, destacou que o uso do ambu nos pacientes é apenas a ponta do iceberg.
“Tem muita coisa que vai além disso, o uso dos ambus é apenas a porta de entrada, é o que o a imprensa está divulgando hoje e o que o procurador constatou, porém, os problemas na Santa Casa vão muito além”, declara.
Tal declaração é semelhante a outra observação feita pelo procurador durante visita ao hospital. “Estamos buscando resolver esse problema do ambu. O problema na Santa Casa é muito mais complexo. Não estamos simplificando o que é complexo, mas resolvendo a questão mais urgente”, enfatizou.
Segundo informações, nesta semana cinco pessoas já vieram a óbito dentro da Santa Casa de Campo Grande devido a situação precária do atendimento fornecido pelo hospital.
Fôlego – Na teoria, o ambú é ligado ao balão de oxigênio e deve ser usado por poucos minutos para estabilizar os pacientes em estado grave. Neste curto período, o respirador hospitalar é calibrado para fornecer oxigênio.
Já na realidade do hospital, a respiração manual é feita por horas e exige fôlego dos profissionais, pois são 60 bombeadas de ar por minuto. “Não é a ventilação adequada. O ambu não oferece 100% de oxigenação ao paciente”, afirma o secretário-geral do Siems, Lázaro Antônio Santana.
Conforme o sindicato, dos 850 profissionais de enfermagem e técnicos, mais de 200 estão afastados. “O Conselho de Enfermagem estabelece dois paciente graves por técnico. Mas na Santa Casa, são mais de dez pacientes graves por profissional”.
A Santa Casa está sob intervenção do poder público desde janeiro de 2005. Nos últimos anos, o hospital aparece de forma recorrente no centro de denúncias de caos e sucateamento.
Com informações do site Campo Grande News
Sem equipamentos adequados, enfermeiras se revezam nos respiradores.
E o segundo flagrante feito pela TV Morena no maior hospital do estado.
Veiculado pela TV Morena – ver vídeo
Há dois meses a reportagem do BDMS da TV Morena entrou no maior hospital de Mato Grosso do Sul, a Santa Casa, e, com a ajuda de uma microcâmera, revelou imagens estarrecedoras.
Pacientes sobrevivendo graças aos enfermeiras que tinham uma única função: bombear os respiradores manuais porque não haviam equipamentos eletrônicos. Naquele dia, 23 de março, os dois pacientes graves que recebiam atendimento improvisado no centro cirúrgico acabaram morrendo.
A reportagem ouviu várias autoridades que prometeram mudanças e investimentos. E nessa segunda-feira (23), exatamente dois meses após a denúncia exibida no Bom Dia MS, a produção do programa retornou aos mesmos locais para verificar, com uma microcâmera, o que havia mudado.
E o que foi constatado em pouco difere das imagens captadas na primeira reportagem. A ala de emergência continuava lotada, com pacientes aos gritos pedindo pela ajuda. Para manter os pacientes respirando, enfermeiras ainda se revezavam nos respiradores manuais.
No setor de ortopedia, as macas continuavam espalhadas pelos corredores. Pacientes aguardavam, há dias, pela cirurgia em camas improvisadas. A situação nas UTIs também era mesma. Muitos aparelhos desligados ou sem utilização.
Dos cinco pacientes que estavam sendo atendidos com respiradores manuais mostrados na reportagem, quatro teriam morrido no início da noite desta terça-feira (24).
Temos assistido a tentativa da “administração” da Santa Casa de Campo Grande de empurrar para os motoristas – em especial para os motociclistas – a responsabilidade pelo descalabro da saúde no município.
Essa é uma velha técnica chamada de “Doutrina do Choque” (se quiser saber mais a respeito, assista este excelente documentário), através da qual o governante cria um problema como forma de impor sua vontade. É uma estratégia largamente aplicada, embora não possa ser considerada exatamente ética.
Pois este sempre foi o caso da intervenção na Santa Casa de Campo Grande e agora, outra vez está sendo utilizado.
Desde as últimas entrevistas copiosas com o prefeito Nelson Trad Filho, nas quais ele responsabilizou a “epidemia de trauma” pelos problemas do hospital, temos visto uma inacreditável cobertura da imprensa em relação a qualquer acidente de trânsito. Até campanhas de conscientização “começam” a ser organizadas para reduzir o problema, sem que no entanto, sejam apresentados dados concretos ou responsabilizados os gestores da área competente.
Hoje, no entanto, a imprensa local publica outro ponto de vista a partir de uma denúncia do Sindicato dos Médicos de MS, dando conta de que mais de 80 pacientes não podem fazer simples exames de sangue porque os aparelhos do hospital estariam “quebrados” (veja as matérias no Correio do Estado e no Aquidauana News).
O que esperar dessa administração que permite que faltem equipamentos absolutamente essenciais para qualquer procedimento? E agora, prefeito, a culpa disso é de quem? De quem teima em ficar doente apesar de faltarem condições para o atendimento?
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